“Já deve se fazer umas duas semanas que a gente não se fala, que não te dirijo nem uma palavra. Tô te escrevendo, mas dessa vez não é sobre amor. Não, isso não é mais um textinho bobo sobre amor. Não é de amor, mas ainda assim é de todo o coração. Esses dias pensei em te ligar, mas não o fiz. Não é orgulho nem nada, só é o errado. Na segunda, depois do trabalho, podia jurar de pé junto que tinha te visto ali na cafeteria. Nem fui conferir se era ou não. Eu estou feliz em saber que já não me afeta mais o que faz ou o que deixa de fazer, com quem vai, pra onde vai ou quando vai. Suas palavras já não me atingem, tampouco me esforço para compreendê-las. Suas atitudes se tornaram irrelevantes e o passado foi para o baú. O lado esquerdo da cama, aquele onde de manhã bate sol toda manhã, ainda está vazio, e até que bom porque aí posso me esticar todinha e dormir sem a preocupação de pegar o cobertor só para mim. Menos louça e roupa para lavar, as contas vão diminuir e o controle da televisão é somente meu. Não é maravilhoso não ter que brigar pelo canal? Isso não é um textinho bobo sobre o amor, mas isso é um textinho bobo sobre a falta que ele não me faz. Não há falta e muito menos saudade. Pode ser um textinho de compaixão, mas de amor, não. A gente se encontra por aí e talvez com outros parceiros. Continuo minha vida normalmente. Continuo trabalhando no mesmo escritório da mesma avenida como colunista. Continuo morando no 7° andar, no apartamento 406 do prédio marrom. Continuo dirigindo o focus que ganhei dos meus pais e continuo indo ao mesmo mercado às segundas, que continua sendo meu dia de folga. Tenho minha segunda refeição do dia no mesmo restaurante, pontualmente às 12:30. Porém isso tudo são só detalhes. Porém isso tudo é só caso você queira voltar, não que eu queira, mas vai saber né…”

— Anne.

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